Em que pese, por onde se olhe e se observe , não se encontre praticamente nenhum partido político relativamente honesto no Brasil, país onde as siglas partidárias tornaram-se um grande balcão de negócios, ignorando ideologias e projetos de governo, o ensaiado discurso do PT e de seus seguidores acerca da suposta inocência do ex-presidente Lula, sob as alegações de “falta de provas”,  “perseguição política” e a “parcialidade do juiz Sergio Moro”, entre outras aberrações, merecem uma melhor reflexão por parte da sociedade brasileira, sobretudo aquela que vive do seu trabalho honesto e que prima pela decência na vida pública.

Nunca, certamente, o país foi tão aviltado por tantas mentiras, frutos de uma estratégia de defesa que, mais do que tentar inocentar os crime praticados pelo  ex-presidente, revela-se um verdadeiro desserviço à nação, ao Estado democrático de direito e às instituições republicanas. Não há como, por mais que se tente, engolir tantas asneiras, entoadas e arquitetadas por parte daqueles que demonstram, mais uma vez, não ter o menor compromisso com o futuro de milhões de brasileiros, tão somente em troca de se tentar perpetuar no poder um modelo de partido que, usando a classe trabalhadora como massa de manobra, institui e oficializou nas entranhas governamentais a maior máquina de corrupção até hoje existente no mundo, conforme revelam os números dos valores desviados.

Sobram provas e indícios

Sim, dizer que não existem provas, apenas porque a titularidade do tríplex não estava oficialmente no nome do ex-presidente, é tentar transformar uma ação penal, motivada pela corrupção sistêmica e  por flagrantes desvios de verbas milionárias, num debate que caberia no máximo à seara do  Direito Civil, mas, jamais,  no âmbito criminal. Trata-se, como bem delineou o juiz Sergio Moro em sua sentença, uma preciosidade jurídica que merece ser analisada pelos operadores do Direito em suas 216 páginas, apenas numa tentativa de diversionismo político destinado a ludibriar aos desinformados acerca da Constituição e do ordenamento jurídico brasileiro. A Lei é e deve ser para todos no Brasil. É o que reza nossa Carta Magna. 

Na verdade, conforme vínhamos  apostando e alertando aos leitores já há algum tempo, sobram provas documentais, testemunhais e indiciárias de que o ex-presidente não só se beneficiou do esquema criminoso que destruiu as finanças da Petrobras, como, também, sabia, tinha pleno conhecimento e autorizou a roubalheira monumental que se abateu sobre a estatal, apenas referindo-se ao caso específico dessa sua condenação, eis que a atuação do PT e dos seus partidos aliados se deu em todos os níveis possíveis e imagináveis da administração pública.

Estratégia e oportunismo político

A estratégia em procurar transformar uma discussão meramente jurídica em um verdadeiro teatro de oportunismo político, tal como se está vendo desde ontem, procurando desqualificar o magistrado ou tentando comparar a condenação de Lula com outros casos de corrupção no Brasil, tais como os casos de Temer, Jucá, Moreira Franco, Aécio Neves, Renan, Eduardo Cunha e tantos outros delinquentes da vida pública – portanto, misturando decisão de 1ª instância com foro privilegiado, STF e casos recentes que sequer ainda  tiveram seus inquéritos policiais concluídos e transformados em processos -   sabia-se de antemão, foi apenas o de tentar criar um palco capaz de desviar a atenção para o verdadeiro foco da questão, que é, sem dúvida alguma, os crimes praticados pelo ex-presidente, empreiteiros e agentes públicos e políticos.

Antes mesmo de ter sua sentença decretada pela Justiça, alertado pelos seus advogados da inflexível e incorruptível posição de Moro - se fosse corrupto sairia bilionário  da contenda, ou não?  - sabendo que sua condenação era apenas uma questão de tempo, Lula adiantou-se ao processo eleitoral de 2018, lançando-se candidato à presidência, para, uma vez realmente condenado – como de fato o foi -  poder alegar que sua condenação nada mais foi do que um gesto de perseguição política, para tirar-lhe do páreo eleitoral, tal qual está se confirmando desde o dia de ontem.

Dura Lex sede Lex

Ao juiz Moro, provocado pelo Ministério Público Federal e como mero aplicador da legislação penal, mesmo bombardeado pela mídia vendilhona, bancada em geral por recursos públicos contabilizados e não contabilizados, por políticos corruptos e por desocupados que infestam as redes sociais em defesa da camarilha petista, não havia outra opção. Ou seja, ou cedia, absolvia Lula, ficaria desmoralizado e desmoralizaria todo o Judiciário brasileiro e suas instituições, ou, baseado em fartas provas cabais e irrefutáveis – mesmo que insistam na tese de  não haver “provas” -  aplicava a condenação.

Pode piorar

Mas como tudo que está ruim sempre tem a chance de piorar ainda mais, a partir dessa sua primeira condenação, abre-se para o ex-presidente um leque de opções que, ao que tudo indica, o levarão inevitavelmente a cumprir boa parte da sua pena em regime fechado, uma vez que o MPF  promete recorrer da decisão, por considerá-la a mínima possível nesse processo, que poderá, por óbvio, ser majorada pelo 4º Tribunal Regional Federal. Confirmada a decisão em segunda instância, segundo o novo entendimento do STF, Lula deverá ser recolhido a um presídio comum. A não ser que um novo posicionamento seja tomado, o que seria a mais completa desmoralização do STF.

Se tudo isso não bastasse, respondendo a outras quatro ações penais – com destaque para o caso do Instituto Lula, que deverá lhe render sua maior condenação – é bem possível que a soma das suas penas ultrapasse mais de 30 anos de prisão, dos quais, em tese, terá que cumprir, para a  progressão do regime fechado para o semiaberto, ao menos 1/6  da pena.

Última e única esperança é o STF

Sem outra  saída, certos de que essa primeira e praticamente irretocável  sentença de Moro será chancelada pela Justiça Federal, com chances reais de ainda ser ampliada, advogados do ex-presidente já ensaiam o discurso sobre a “ilegalidade” da condenação, buscando com isso levar o caso para o Supremo Tribunal Federal, única esfera jurídica que, também em tese, dada a promiscuidade que impera na Suprema Corte e ao notório envolvimento político da maioria dos seus ministros, será a  única e derradeira possibilidade de que, à nível constitucional, a condenação possa ser revertida.

Esta é, em suma, a única ,- eu disse a única, anotem aí -  possibilidade de Lula escapar da prisão, já que, em relação à sua participação nas eleições de 2018, esta possibilidade  desde já é praticamente inexistente. Longe de partidarismos e de paixões políticas, que a condenação do ex-presidente possa representar um verdadeiro divisor de águas na história do Judiciário e da política brasileira.

É o que o país e os cidadãos de bem – pelo mínimo os de bem -  desejam.

Aos petistas e defensores do ex-presidente, direito que lhes assiste numa democracia, nada há que os impeça de continuar a lhe defender. Muito pelo contrário, podem defendê-lo à vontade.  Mas, se assim o preferirem e insistirem,  a única coisa que eles jamais poderão falar novamente será em corrupção ou decência na vida pública. Muito menos poderão apontar o dedo para qualquer outro partido ou político corrupto no Brasil. Quem com porcos se mistura, com  certeza farelos come! 

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